Cada uma na sua conta: separe finanças pessoais das empresariais

Equipe BDMGEquipe BDMG - 29 de Outubro de 2018.

As duas siglas começam com a mesma letra, mas não confunda CPF com CNPJ. Esse é um dos erros mais comuns entre empresários brasileiros: misturar as contas pessoais com as empresariais e depois, para separar novamente, o trabalho é dobrado. Em teoria parece simples, mas o tempo vai passando e a linha que parecia dividir esses dois universos vai ficando cada vez mais tênue até sumir.

Isso pode acontecer com frequência em empresas que estão começando ou em casos de MEI, microempresas e pequenas nas quais o empreendedor acaba desempenhando diferentes papéis, incluindo o de controlar o caixa. Mas, criar uma barreira bem distinta entre finanças pessoais e empresariais ajuda a:

- Monitorar os gastos e adequá-los à situação atual da empresa;
- Entender o lucro real e resultados dos investimentos feitos;
- Planejar uma estratégia de crescimento mais sustentável, evitando dívidas.

Quais são os passos para organizar as finanças pessoais e empresariais?

Um empreendedor também acaba sendo um funcionário da sua própria empresa, então precisa definir o seu salário. Isso mesmo! Identificar o valor do seu pró-labore é um jeito de evitar que retire a mais do caixa e para isso basta identificar quanto alguém no seu cargo geralmente ganha — um empreendedor pode desempenhar o papel de diretor, diretor de finanças, diretor de marketing ou vendas. Para isso, identifique quais são os valores comuns para esses cargos ou mesmo quanto os sócios de empresas como a sua geralmente recebem.

O que importa é deixar claro o papel do empreendedor dentro da estrutura corporativa — além de dono ou sócio — e estabelecer o seu salário. E por mais que você deva ser justo com você mesmo, priorize o crescimento da empresa no começo. Então não exagere no próprio pagamento e use o bom senso.

Depois dessa grande definição, que delimita seus ganhos como colaborador da empresa, você pode tomar alguns passos para deixar a fronteira entre finanças pessoais e empresariais ainda mais definida.

Passo 1: Tenha contas bancárias separadas

Não use sua conta pessoal para pagar as necessidades da sua empresa. Abra uma separada no CNPJ do negócio e, depois de criada, tenha um controle próximo de todas as retiradas, recebimentos e pagamentos, e determine quais pessoas terão acesso a ela. Assim, você evita confusão no controle financeiro e mantém uma gestão saudável, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica.

Passo 2: Lucro não é salário

Com as contas separadas, o próximo passo é calcular qual o lucro real da empresa por mês — ou pelo menos a previsão de acordo com o seu plano de negócios. Ao mesmo tempo, o empreendedor deve criar uma tabela com seus gastos pessoais.

Por que ter esses dois valores? Porque o empreendedor e seus sócios devem decidir quanto receberão de salário — ou pró-labore — e ver se esses valores se encaixam dentro do lucro. Aqui vale mentalizar a máxima: o lucro da empresa não é o salário ou lucro do dono.

O lucro final de cada mês alimenta o desenvolvimento da empresa, seja constituindo o capital de giro ou virando investimento para a expansão do negócio. Portanto, o pró-labore não pode consumir todo esse capital.

Passo 3: Cuidado para não comprometer o futuro da empresa com seus planos pessoais

Levando em consideração a máxima do passo anterior, não faça planos pessoais contando com os ganhos da empresa. Exemplo: o empreendedor resolve comprar um carro, porque constatou um crescimento no lucro do negócio, mas ele já estava comprometido com a expansão do estoque; ele vai e decide pagar a expansão com o dinheiro do próprio bolso e, quando olha as contas, percebe que misturou as finanças pessoais com as empresariais.

Os planos da empresa devem envolver o capital e planejamento do próprio negócio; já os seus projetos pessoais devem contar apenas com o pró-labore e você deve se organizar pensando nele.

Passo 4: Controle o caixa da sua empresa

Controlar os recebimentos, pagamentos, retiradas, ativos e passivos da sua empresa é uma boa forma de sempre saber que tudo está em ordem. Deixar para verificar essas informações apenas em momentos difíceis poderá levar a surpresas desagradáveis. Confira aqui alguns elementos financeiros importantes que todo empreendedor deve conhecer.

Passo 5: Contrate ajuda

Se o assunto finanças não é algo que você conhece com profundidade, talvez seja melhor, quando as condições da empresa permitirem, contratar alguém para cuidar dessa área ou procurar por entidades que fornecem capacitação e orientação, como o SEBRAE.

No começo de qualquer negócio, há certo risco dessas duas esferas — a pessoal e empresarial — colidirem e se misturarem de novo, principalmente em períodos de dificuldades financeiras que levam alguns empreendedores a tomarem decisões precipitadas. A boa notícia é que sempre dá para separá-las de novo com um pouco de organização e planejamento.

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